sábado, 3 de dezembro de 2011

Em Inhotim


Inhotim - Instituto de Arte Contemporânea Jardim Botânico

"Lugar maravilhoso, é impossível não se apaixonar completamente!"

 



Em meio a tantas opções, confesso que escolher apenas uma instalação pra visitar foi um pouco difícil.
Mas escolhemos o pavilhão de  Janet Cardiff & George Bures Miller com a obra The Murder of Crows de 2008, e acredito que fizemos uma ÓTIMA escolha.


Confiram o magnífico trabalho:


 




Veja o que Mariana Lage escreveu em seu Blog sobre The murder of crows:

[Entro num galpão extenso, com um arranjo de cadeiras em círculos e uma mesa ao centro. As paredes brancas acentuam a extensão do espaço. Sentada num banco em meio a cadeiras vagas e caixas de sons, fecho os olhos e sou transportada para um espaço intangível, que existe e dura na medida em que me entrego e permaneço neste espaço impalpável que o som me conduz.
A obra não me exige a entrega, mas eu a pressuponho, pois só assim, neste ato de desapego de expectativas, desejos e significados, posso então sentir os passos tão concretos de alguém que se aproxima assim como posso também sentir o aveludado de uma voz. Abro os olhos. Não há ninguém. Há uma mesa com um gramofone. É dele que sai a voz feminina e doce. Imagino Janet Cardiff. Noto que sua voz, como a de qualquer outra pessoa, tem peso e densidade corporal (desta vez, as caixas e os dispositivos tecnológicos não suprimiram o corporeidade da voz). De olhos fechados sinto a tatibilidade da presença humana, mas ao meu redor sei haver apenas caixas, cadeiras e um gramofone.
As caixas, elas me servem de transporte para uma época em que não vivi. Sinto-me medieval, devota, em êxtase, situada fisicamente no meio de um coro de vozes. Uma experiência litúrgica? As caixas me transportam para um espaço que não é físico, embora eu o habite com meu corpo e com meus órgãos de sentido. Como num sonho, sinto a brisa do mar tocar minha face. Sinto o cheiro salgado do mar e minha pele rememora a umidade ligeiramente áspera da maresia. As ondas exercem sobre mim medo e opressão. Tenho medo, mas não desejo de fugir. Permaneço estática na minha cadeira. Externamente, quase inerte. Por dentro, um turbilhão de sensações e pensamentos.
“O que é a criatividade? O que faz o artista mover-se em direção à criação? O que o estimula a se projetar imaginativa e livremente sobre palavras, sons, objetos, espaço? Que experiência o habita quando ele se põe a compor?”
Sinto a solidão do artista. Lembro-me que é preciso estar só para surgir esse desejo de comunicar o incomunicável, uma vivência não-conceitual, nem teórica nem prática, mas sempre reiterável.
Lembro-me das teorias, das escritas acadêmicas e tenho um desejo desolador de não mais discutir obra alguma. Preciso de categorias de arte, de teorias ou instituições para me certificarem que a partir delas terei experiências tão arrebatadoras como esta?
Desejo adentrar no espaço profundo em que se conhece e se contempla a própria humanidade e o desejo primordial de simbolizar a existência, de transformar um fragmento de rocha num veículo xamânico, detentor de poder que ultrapassa minha experiência finita.
Caí de joelhos diante da obra.
Tudo se passou como se eu houvesse vivido toda minha vida para sentir aquele momento. Só então pude compreender que o que nos move, artistas e público, ao fazermos e apreciarmos obras de arte é uma necessidade intratável, indomável, incomensurável, de compartilharmos e simbolizarmos esse desconhecido que nos habita.]


E pra finalizar alguns croquis digitalizados:







Nenhum comentário:

Postar um comentário